A Escrita, o Papel e o Livro ( Parte 2)

 

 

Na Mesopotâmia, mesma terra dos sumérios, criou-se um sistema de símbolos fonéticos em que um mesmo sinal podia ter vários significados. Gravavam-se os caracteres com um estilete em tabuletas de argila húmida que depois eram cozidas, como tijolos, até endurecerem.

 

O estilete fazia sulcos em linhas retas no barro- os historiadores chamaram essa escrita de cuneiforme.

A Escrita provavelmente foi criada por motivos comerciais.

Ela tornava possível, por exemplo, saber que certo número de ovelhas pertencia a determinada família ou era transportada para algum lugar.

O inventor das primeiras tabuletas escritas deve ter percebido as vantagens oferecidas pelas peças de argila: já não era preciso guardar tudo de cabeça.

A quantidade de dados armazenadas nas tabuletas podia ser tão grande quanto fosse necessário - enquanto a capacidade de memória do cérebro é limitada.

E para recuperar uma informação, as tabuletas não exigiam a presença de quem guardava a lembrança.

Um número, uma noticia ou uma ordem podiam ser obtido sem a presença física do mensageiro, e passado adiante.

Com um único ato - a incisão de um traço sobre uma tabuleta de argila - o primeiro escritor anónimo conseguiu ultrapassa barreiras como

o esquecimento, a distancia e a morte.

E, ao mesmo tempo, surgiu a figura do leitor, pessoa que leria as informações e daria vida ao que foi escrito.

A simplificação do código de sinais foi tanta que os escribas mesopotâmicos tiveram tempo para muitos outros registos alem dos comerciais.

O novo sistema possibilitou registar textos literários, poemas,livros de sabedoria, histórias humorísticas e leis.

Como o Código instituído pelo rei Hamurabi, que representou uma das primeiras tentativas de estabelecer regras para aspectos diversos da vida em sociedade.

E a Epopéia de Gilgamesh, datada de mais de quatro mil anos, é o mais antigo texto literário que se em noticia, com forte influencia das tradições orais.

A epopeia ou o poema épico, é uma maneira de contar aventuras heróicas em versos e foi o meio mais comum de expressão literária na época de formação dos povos da Antiguidade.

A escrita cuneiforme sobreviveu aos sucessivos povos que dominaram a Mesopotâmia - sumérios, arcádios, caldeus e assírios - e registou a literatura de 15 diferentes línguas, abrangendo a área ocupada hoje pelo Iraque, Síria e o oeste do Irã.

publicado por o escriba às 17:08